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Apresentado por Ronaldo Costa Filho, embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), o segundo episódio da série “Por Dentro da ONU” explora os painéis "Guerra" e "Paz", pintados por Candido Portinari entre 1952 e 1956. Os dois murais, ambos de 14 x 10 metros, estão posicionados um à frente do outro, explicitando a oposição entre o regozijo das nações em tempos de paz e o suplício inerente à irracionalidade da guerra. Em posição privilegiada na sede da ONU, são um lembrete a todos os representantes das Missões permanentes que por ali transitam.

No episódio, João Candido Portinari, filho do pintor e fundador do Projeto Portinari, comenta sobre as dificuldades erigidas para a exibição dos painéis pelo governo estadunidense, dadas as circunstâncias da Guerra Fria e a filiação de Candido Portinari ao Partido Comunista na década de 1940. Quando "Guerra" e "Paz"  foram entregues à ONU em 1956, “eles ficaram um ano encaixotados, e me lembro da aflição de meu pai imaginando que pudessem ser estragados”, declara ele. “Foi preciso de toda a habilidade tradicional do Itamaraty para evitar que os painéis não fossem instalados ou até mesmo fossem instalados em outro local, como estava sendo proposto”.

Além disso, de acordo com João Candido, para que Portinari obtivesse o visto, o governo estadunidense estipulou como condição uma declaração de que não fosse comunista. “Naturalmente recusou-se”, afirma, “e a inauguração aconteceu sem ele. Não somente sem Portinari, mas sem qualquer artista convidado, sem imprensa. Uma cerimônia praticamente restrita aos funcionários da ONU”.

“Portinari deve ter sentido imensamente não ter podido estar presente na inauguração pela qual deu a própria vida”, continua João Candido. Advertido à época de que o envenenamento pelo chumbo presente nas tintas levaria à sua morte, Portinari foi proibido por seus médicos de pintar "Guerra" e "Paz". A proibição de exercer justamente o que lhe era tão prazeroso foi desobedecida pelo pintor, que certa vez confidenciou: “Estou proibido de viver”. “Diante da maior oportunidade de sua vida, de passar sua mensagem humanista e de esperança pela paz na ONU, ele não poderia recusar. Ele tinha consciência de que o risco era fatal, e de fato o foi”, conclui o filho de Candido Portinari.

 
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